segunda-feira, 26 de novembro de 2012

“VENDER A VIRGINDADE DEGRADA A INTIMIDADE E COMPRAR APOIO POLÍTICO ULTRAJA A DEMOCRACIA”



Veja: Reflexão sobre os limites éticos do mercado como mediador das relações humanas.

Texto: Vereador Mário Frota*
Embora entenda tratar-se de prostituição, vender a virgindade só afetou a ela própria, ao contrário do mensalão, onde políticos da cúpula do PT roubaram dinheiro público para comprar votos de outros pilantras igualmente corruptos.
A jovem catarinense Ingrid Mighiorini vendeu a virgindade e parlamentares integrantes do Congresso Nacional negociaram votos por dinheiro, num escândalo que ficou conhecido por mensalão. Nesse mundo sem freios éticos, em que se vende tudo, a honra e até a alma, o que ainda não pode ser transformado em moeda de troca?
Nessa semana a revista Veja, numa matéria de fundo, das melhores publicadas neste ano, comentou, em forma de reflexão, os limites éticos do mercado como mediador das relações humanas. Ao longo da extensa reportagem, com o título de “Nem tudo se Compra”, os redatores se esmeram e se aprofundam no passado da humanidade em busca de ensinamentos, a exemplo dos ministrados pelo filósofo grego Aristóteles, o gênio que assentou a pedra fundamental da catedral de valores éticos e políticos, que nos orienta hoje a condenar a menina que vendeu sua virgindade e a canalhada do PT que, no Congresso Nacional comprou votos, dando origem ao escândalo do mensalão.
No mundo que se vive, alguém pode até dizer que do ponto de vista econômico vender a virgindade não é grande coisa, principalmente se o que vende e o que compra são adultos, agiram de livre vontade e ninguém saiu prejudicado. Pelo ponto de vista do capitalismo tudo pode parecer simples, mas não é.  Dois mil anos depois, outra mente brilhante, no caso o filósofo alemão, Immanoel Kant, aprofunda tal discussão e, a exemplo do mestre Aristóteles,  também discorda da transação como a protagonizada pela catarinense Ingrid Mghiorini. Como pensador moral, Kant discorda trocar sexo por dinheiro, fato que, em sua opinião, é degradante para ambos os parceiros. E sentencia: “o homem não pode dispor de si próprio como se fosse uma coisa; ele não é sua propriedade”.
Saltando para o caso dos mensaleiros da cúpula petista, que usaram dinheiro público para comprar votos de parlamentares do Congresso Nacional, com objetivo de aprovar projetos de lei para favorecer a primeira administração do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, dentro do ensinado pelos filósofos acima citados, moralmente não é muito diferente do ato praticado em que uma jovem negocia, ou seja, oferta em leilão, pelo melhor preço, a sua virgindade.
Pessoalmente, embora entenda tratar-se de prostituição o que fez a jovem de Santa Catarina, fato que obviamente deve ser criticado, até como forma de impedir que outras jovens façam o mesmo, a verdade é que a moça só afetou a ela própria, ao contrário dos envolvidos no caso do mensalão, onde políticos da cúpula do PT roubaram dinheiro público para comprar votos de outros pilantras igualmente corruptos, num processo prenhe de ambição, com o objetivo torpe de controlar a Câmara e o Senado, dobrando-os à vontade do chefão do esquema, no caso o próprio Lula que, entre outras, tinha por sonho o terceiro e um quarto mandato, inspirado na aventura do ditador vizinho Hugo Chaves. Esse fato só não aconteceu porque o Brasil não é a Venezuela e a imprensa brasileira estava e está de olhos bem abertos para esse tipo de manobra.
Em síntese, concordo em gênero, número e grau, com a revista Veja: “Vender a virgindade e comprar o apoio de partidos políticos são duas atitudes que revelam em seus autores a mesma concepção utilitarista e rasa da vida. Uma degrada a intimidade. A outra ultraja a democracia.”      

*Advogado;
*Líder do PSDB na CMM;
*Presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação da CMM.










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