terça-feira, 17 de dezembro de 2013

CARTA AO MEU AMIGO MÁRIO ADOLFO, UM COMPANHEIRO DE MUITAS LUTAS NA DEFESA DE UM BRASIL MELHOR PARA OS NOSSOS FILHOS E NETOS



Mário Adolfo, neste domingo li os comentários que fizestes na coluna Contexto, do Jornal Amazonas em Tempo, sobre matéria publicada no meu blog. Confesso que fiquei surpreso, pois, por incrível que pareça, neste País ainda tem gente que, na sua boa fé, acredita que o Lula é inocente das graves acusações que lhe são imputadas, que se trata de um cidadão acima de qualquer suspeita, e não do escroque político, um corrupto de carteirinha, o pai do mensalão que só não está hoje na cadeia porque foi protegido pelos seus comparsas que, por motivos óbvios, resolveram poupá-lo.
Tudo o que fiz, amigão, foi comentar os fatos publicados no livro Assassinato de Reputações – Um Crime de Estado, de autoria do  ex-secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, filho do ex-senador Romeu Tuma, o homem que à época da ditadura militar foi titular do Dops, a temida polícia política  do regime autoritário que se instalou no poder em 1964, e de onde só saiu em 1985, com a eleição, via  colégio eleitoral, do Dr. Tancredo Neves.
Mário, no que diz respeito às terríveis denúncias feitas por Romeu Tuma, no livro ora publicado, quem tem que se defender é ele, o Lula, apresentando provas e testemunhas de que o seu acusador é um leviano, e que vai processá-lo, etc. Em vez disso, depois do livro já ter sido lançado há quase uma semana, ainda continua ele em silêncio, encolhido, como se nada estivesse acontecendo, apesar do livro de Romeu Tuma Júnior ser devastador, e ter a sua primeira edição esgotado no mesmo dia do seu lançamento, fato único na história deste País.
Por que, em vez de reagir, como eu e você naturalmente faríamos caso a nossa honra fosse arrastada na lama, preferiu ficar quieto, escondendo-se inexplicavelmente da própria imprensa. Pelo fato de ter medo que pode Romeu Tuma ainda ter em mãos mais trunfos sob a manga da camisa, a exemplo de fotos e gravações? É o que presumo.  Por outro lado, faltou ao Lula da Silva a ira do injustiçado, fato que ocorre quando  uma pessoa  inocente  tem a  sua  honra e dignidade atacadas.
Em minha opinião, Mário, o Lula não pode se esconder enterrando a cabeça na areia como o faz o avestruz quando sente medo. Tem ele, sim, de dizer que não foi informante da ditadura militar, um agente infiltrado, pago, sob o codinome de Barba, para dedurar os seus colegas trabalhadores do ABC paulista; que nada teve a ver com o assassinato de Celso Daniel, na época prefeito de São Bernardo do Campo; que não partia dele a ordem para montar dossiês com propósito criminoso de envolver figuras ligadas a governantes do PSDB; que desconhecia totalmente o esquema do mensalão, o maior escândalo da história da República. E vai por aí.
Por um décimo do que Lula é acusado, o ex-presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, foi obrigado a renunciar à presidência do seu país, sentenciado moralmente a nunca mais ocupar qualquer cargo público. Nixon enfrentou o exílio dentro do seu próprio país. Até os seus últimos dias viveu como um zumbi político, abandonado até mesmo pelos seus ex-companheiros do Partido Republicano. Foi um fim político melancólico. Morreu sem que o seu povo o perdoasse.
Por fim, irmão Mário, você é testemunha de que não fiquei parado, calado, quando o Amazonino e os seus cúmplices pagaram um salafrário para imitar a minha voz e, dessa forma me incriminar, com objetivo de me destruir politicamente. Não me escondi como o Lula, pelo contrário, fui à luta, reagi e, ao final, sai inocentado daquela história infame, de cabeça erguida, enquanto os bandidos que montaram a tal gravação foram desmascarados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. O injustiçado não foge, mas luta, com todas as suas forças e armas para provar a sua inocência. Estranhamente, Lula acovarda-se e, em vez de reagir para provar que é vítima de uma vilania, prefere mergulhar no silêncio, fugindo da imprensa como o diabo corre da cruz.  

Abraços.
Mário Frota









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