segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

ÚLTIMA FLOR DO LÁCIO PRENHE DE PEGADINHAS SAFADAS

A "Última flor do Lácio, inculta e bela" é o primeiro verso de "LÍNGUA PORTUGUESA", de Olavo Bilac, usado para designar o nosso idioma. O termo inculta fica por conta de todos aqueles que a maltratam (falando e escrevendo errado), mas que continua a ser bela.

O mundo não é estático, nenhum ser humano é o mesmo cinco anos depois, assim como as línguas faladas em todo o mundo enfrentam mudanças em razão, principalmente, de termos novos que surgem em decorrência do avanço das ciências tecnológicas, em especial na área da informática.
O meu espírito fica dividido entre o moderno e o antigo da minha infância e adolescência. Absolutamente não sou refratário às novidades, mas, vez por outra reajo, quando percebo que trazem certos absurdos. Dia desses o meu filho Saulo falou-me que se submeteu a um concurso público, e que na prova de português, o forte não foram as questões objetivas sobre o conhecimento da gramática da língua pátria, nem mesmo a redação sobre determinado tema, que segundo ele não houve, mas uma interpretação de um texto literário.
Bem, os tempos são outros. Quando em 1967 enfrentei o vestibular para a Faculdade de Direito da Universidade do Amazonas (UA) - hoje UFAM - as provas foram difíceis, possivelmente porque a vetusta Escola de Direito do Largo dos Remédios só oferecia 40 vagas, insuficientes para os milhares de interessados que tinham por meta o estudo das ciências jurídicas. Só existia uma Faculdade de Direito no Estado para receber os jovens daqui, do Estado do Acre e dos ex-territórios de Roraima e Rondônia. O estudante que não fosse aprovado teria que esperar um ano para se submeter a novos exames. Época difícil aquela, bem diferentes dos dias de hoje, considerando-se que em nossa Manaus existe atualmente uma dezena de cursos de Direito.
O bicho papão na minha época era a redação. Não é nada fácil escrever 40 linhas sobre um tema aleatório e de forma escorreita. Como os jornais só falavam na possibilidade do Amazonas ganhar uma Zona Franca, todos acreditavam que esse fosse ser o tema da redação. Já estávamos em sala quando entrou o professor de Português, Agenor Ferreira Lima, que, como ex-seminarista e quase padre, conhecia o latim como poucos. O velho professor era um apaixonado pela língua de Cícero e Virgílio, o idioma que deu origem ao português, a ‘Última Flor do Lácio, inculta e bela’, como no dizer dos primeiros versos do famoso poema de Olavo Bilac: ‘Língua Portuguesa’.
Voltemos à narrativa. A prova de Português foi dividida em duas partes: uma redação e cinco questões objetivas de gramática, todas, naturalmente, associadas ao latim. Duas delas, não vou esquecer, nunca. A primeira, origem e evolução do verbo por e, a segunda, explicar porque foi o latim vulgar (falado pela soldadesca das legiões romanas), e não o latim clássico (a forma preferida pelos intelectuais de Roma), que deu origem a língua portuguesa. Quanto a redação, todos aguardávamos que o tema fosse Zona Franca, mas o carrancudo mestre anunciou, em bom som, que o tema da redação era da sua escolha. Ato contínuo foi ao quadro negro e escreveu, com letras bem visíveis: “O Homem e o Meio”. Foi um Deus no acuda. Uma colega levantou-se e perguntou: “professor, por favor, explique-nos sobre o que o senhor quer dizer com o tema o Homem e o Meio?” De forma brusca, respondeu: “a senhora está fazendo vestibular para Direito. Sente-se, a prova já começou”. A minha amiga sentou-se, baixou a cabeça, e chorou.
Prestando vestibular havia alguns ‘cobras’ conhecedores da língua. No entanto, a nota mais alta em português foi a do então padre Cristovam Alencar, que obteve 9,0; a do quase padre Osvaldo Coelho, 8,5; e o Fábio Lucena conquistou 8,0. Tirei um 7 e comemorei, não era para menos. Português foi um massacre. O que me salvou foi o volume do livro que falava sobre gramática histórica, publicado pelo ex-presidente Jânio Quadros, de onde retirei a resposta para três das cinco questões que caíram na prova. Ao final, o jornal A Crítica publicou os nomes dos vitoriosos em matéria intitulada “Os 40 Heróis”. Juro que, até hoje, não sei como consegui ser o 5º classificado. Frente a tanta gente especial, a exemplo dos poetas Anibal Bessa e Aldísio Figueiras, entre outros igualmente ilustres, foi mesmo sorte obter tal classificação.
Agora as coisas mudaram. Ao invés de testar se o aluno sabe escrever e conhece gramática, os organizadores de concursos dão preferência a essa história de interpretação de texto que, em minha modesta opinião é subjetiva, pois, de um grupo de 10 professores de português, escolhidas para interpretar um texto literário de Guimarães Rosa, talvez uns três, no máximo, terminem com interpretação igual. Interpretar um texto isolado é difícil, o mesmo não acontece quando já lemos o livro, obviamente, principalmente quando extraído da obra do autor de Grandes Sertões Veredas, que deixou um regionalismo difícil de entendimento para o leitor ainda não iniciado na linguagem das regiões do vasto sertão mineiro, que o inspirou na criação de Riobaldo e Diadorim, personagens que adquiriram vida e vivem no nosso imaginário.
Com se não bastasse a cruzinha a indicar a resposta certa entre quatro ou cinco opções de múltipla escolha, prenhes de pegadinhas safadas, agora enveredam por outra embromação: a interpretação de texto literário. Entendo que qualquer prova com objetivo de saber se o aluno tem conhecimentos sobre a língua portuguesa deve ser objetiva, sem subterfúgios, sem intenção de querer confundi-lo com as tais pegadinhas, num jogo mais de sorte do que de conhecimento real sobre o idioma de Camões. Acredito que chegamos a isso em razão da péssima educação ministrada neste País, em especial nos colégios público, onde a maioria dos alunos termina o curso sem saber ler, escrever, ou fazer as quatro operações elementares. Governantes, de forma irresponsável, mais do que isso, criminosa, orientam diretores de escolas a não reprovar, mas aprovar todo mundo, não importando se o coitado que vai receber o diploma sabe tanto quanto na época em que chegou ao colégio. Isso é uma vergonha. Infelizmente, no quesito educação, chegamos ao fundo do poço.
Por: vereador Mário Frota
Líder do PSDB na CMM
Presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação da CMM

sábado, 14 de janeiro de 2012

OMAR AZIZ DEVERIA IMPLANTAR O TOLERÂNCIA ZERO

Omar poderia implantar aqui o Tolerância Zero, inspirado no trabalho de Giulliani, em Nova Iorque. O povo de Manaus vai aplaudi-lo, Governador. Com certeza absoluta!

O Omar Aziz promote colocar um basta no banditismo que tomou conta da cidade. Todo mundo está torcendo para que o programa Ronda nos Bairros seja logo implantado e dê certo.

A insegurança nas ruas de Manaus preocupa as pessoas. Aonde chego vem logo alguém me questionar sobre a onda de crimes que está ocorrendo em Manaus. Até pela rede social facebook me cobram sobre a questão da segurança, como se o problema fosse de responsabilidade do Município, onde exerço a função de vereador. A todos, pacientemente, digo que também estou preocupado com o grave problema, até porque em Manaus resido com a minha família. Por fim, explico que a segurança pública é de responsabilidade do Governo do Estado, que tem sob seu comando a Polícia Civil e a Polícia Militar.

Segundo estatísticas, de janeiro do ano passado até este janeiro de 2012, aproximadamente mil pessoas foram assassinadas nas ruas da nossa Manaus. Isso é mais do que o número de pessoas que morreram, no mesmo período, na Faixa de Gaza, região conflitada, um verdadeiro barril de pólvora, disputada por Israel e Palestinos. E por que a situação aqui virou isso que aí está, ou seja, assaltos à mão armada e assassinatos à luz do dia? O que se pode fazer para acabar com toda essa violência que incomoda, mais do que isso, assombra a sociedade manauense?

Quem quiser saber como combater e erradicar os crimes que acontecem aqui e em outras cidades do País, aconselho que leia o trabalho dos autores James Q. Wilson e George Kelling, intitulado Janelas Quebradas (Broken Windows Teory), teoria publicada no início da década de 80, que inspirou, à época, o recém eleito prefeito de Nova Iorque, Rudolph Giulliani, na luta contra à criminalidade. Resultado: Em pouco tempo Nova Iorque, então considerada a cidade mais insegura do Planeta mudou de feição, transformando-se em metrópole razoavelmente segura. Ensinam os autores da teoria Janelas Quebradas, que não adianta apenas combater os crimes graves, mas também os de menor proporção, como pichações, malandragem, pequenos furtos e distúrbios causados por gangues de ruas. Em outras palavras: combatendo os pequenos delitos, previnem-se os grandes.

A teoria da Tolerância Zero vem diminuindo os índices de criminalidade em todas as cidades americanas onde foi implantada. Ora, se deu certo lá, por que não dá aqui e se aplica no combate aos criminosos nas cidades brasileiras, inclusive nesta Manaus, onde os bandidos demonstram não ter um pingo de medo da Polícia? Além do projeto Ronda nos Bairros, bem que o Omar poderia implantar aqui o Tolerância Zero, inspirado no trabalho de Giulliani, em Nova Iorque. O povo de Manaus vai aplaudi-lo, Governador. Com certeza absoluta!

Por: Vereador Mário Frota

Líder do PSDB na cmm

Presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação da CMM

Foto: http://www.portalflagranteam.com.br/

Alex_Pazuello

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

ARTHUR NETO PODE SE ELEGER VEREADOR COM MAIS DE 100 MIL VOTOS

Arthur eleito vereador dará cumprimento a uma tradição histórica, remetendo para o Senado da República mais um Senador eleito pelo povo do Amazonas.


Os jornais especulam a possibilidade do Arthur Virgílio Neto sair candidato a vereador nas eleições que se aproximam. Talvez, por puro preconceito, ouvi dia desses, alguém dizer: “mas logo vereador? O Arthur não deve descer tanto.”

Ouvi e, como não é da minha natureza engolir asnices, fui logo revidando: ‘talvez você esteja errado na sua avaliação. A Câmara Municipal de Manaus (CMM) não é lugar tão desimportante como você pensa. E vou lhe provar. Nessa última eleição três vereadores, o José Ricardo, o Fausto Souza e o Marcelo Ramos, foram eleitos para a Assembléia Legislativa do Estado (ALE), enquanto outro, o Henrique Oliveira, o povo do Amazonas o elegeu deputado federal’.

E mais: ao contrário da Assembléia Legislativa do Estado, a nossa Câmara Municipal têm sido um verdadeiro celeiro de nomes tanto para a Câmara dos Deputados como para o Senado. Alguns exemplos: nos últimos 40 anos três vereadores saíram direto da CMM para o Senado da República. Os seus nomes: Evandro Carreira, Fábio Lucena e Jefferson Péres. É curioso, mas, nesse meio tempo, da Assembléia nenhum deputado saiu direto para a Câmara Alta do País.

E prossegui: nas últimas eleições, da CMM saíram, para a Câmara dos Deputados os então vereadores Francisco Praciano, Vanessa Graziotin, Henrique Oliveira e Sabino Castelo Branco. Não tenho lembrança de nenhum deputado federal, nessas mesmas eleições, que tenha origem na Assembléia. Há muitos anos, portanto, que a Assembléia não manda ninguém para Brasília.

O que se depreende de tudo isso é que a CMM tem mais visibilidade política do que a Assembléia. Primeiro porque, em Manaus, vivem 60 por cento dos eleitores do Estado; segundo em razão dos assuntos discutidos na CMM serem mais explosivos, haja vista a votação da taxa do lixo e, agora, mais recentemente, a aprovação pela maioria do Amazonino na Casa do aumento do IPTU, o que chamei de nitroglicerina pura.

A eleição do Arthur é importante por várias razões: 1. Automaticamente eleva a importância e qualidade do Poder: 2. Com a eleição do Arthur os holofotes da imprensa local e nacional voltam-se para Câmara; 3. Porque, com certeza absoluta, a oposição seja a Eduardo, Amazonino ou outro qualquer, assume o controle da Casa e faz o seu presidente, que pode ser o próprio Arthur; 4. Defendendo o povo de Manaus, com o brilhantismo que lhe é peculiar, o Arthur estará pavimentando o seu retorno triunfante ao Senado.

Arthur eleito vereador, o que pelos cálculos, pode ultrapassar os 100 mil votos, mais uma vez a Câmara dará cumprimento a uma tradição histórica, remetendo para o Senado da República mais um Senador eleito pelo povo do Amazonas. Alguém tem dúvidas?

Por: Vereador Mário Frota

Líder do PSDB na CMM

Presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação da CMM

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

BRASIL DO PRIMEIRO MUNDO COM SERVIÇOS DE SEGUNDA CATEGORIA

Países como a Bélgica, a Suíça e a Holanda têm um PIB pequeno em relação ao Brasil, mas os serviços públicos são excelentes, entre os melhores do Planeta.

Dependesse das riquezas hoje produzidas no solo nacional, o Brasil já poderia ser considerado um país de Primeiro Mundo. E por que não é? Como um país que, embora ostente agora a honrosa classificação de 6ª economia do Planeta, ainda parece tão distante de participar do clube de um grupo tão seleto de nações?

Outro exemplo de que não basta produzir riquezas para pertencer ao restrito clube acima citado, é a China. Apesar do país de Confúcio ser hoje a 2ª economia do mundo, ainda está a anos luz de integrar o grupo que ostenta a classificação de nações do Primeiro Mundo.

A resposta não está apenas na produção de riquezas, mas de como elas são investidas na melhoria da qualidade de vida da sociedade, em setores como educação, saúde, saneamento básico, segurança, moradia, entre outros. Democracia é um dos itens exigidos e pressupõe sistema legal sob a égide de uma constituição soberana, eleições limpas, justiça ágil e isenta e poderes independentes.

Países como a Bélgica, a Suíça e a Holanda têm um PIB pequeno em relação ao Brasil, mas os serviços públicos são excelentes, entre os melhores do Planeta. Quando vice prefeito de Manaus participei em Barcelona de uma reunião de prefeitos do Brasil e da Espanha. A cada reunião, minhas frustrações aumentavam, ao ponto de ficar deprimido.

Na palestra que proferi demonstrei, cheio de orgulho, com apresentação de fotos, do antes e depois, que a administração Serafim Correia havia transformado uma lixeira a céu aberto em aterro sanitário. Em aparte a autoridade, o equivalente aqui a Secretário da Limpeza Pública, questionou: “mas vocês estão enterrando dinheiro... Aqui selecionamos o lixo e ele é reciclado...” Ao final, entendi que naquela reunião não tinha nada a ensinar, mas com humildade a aprender.

Na questão educação levamos outro banho. O Secretário da Educação de Sabadel, cidade vizinha de Barcelona, levou-nos a uma escola pública, de nível equivalente ao nosso ensino fundamental. Outro susto, pois, acostumado aqui com as escolas que temos, deparei-me com um colégio nos moldes do nosso Adalberto Vale, onde desembolso quase mil reais com despesa mensal com o meu filho de nove anos, sem falar que tenho que pagar por fora caso ele queira praticar algum tipo de esporte (futebol, judô, capoeira), ou participar do curso de artes (violão, violino, ou qualquer outro instrumento).

Agora, vejam a diferença: no colégio público que visitei na Espanha, as crianças têm direito à prática de esportes, a escolher, assim como também participar de cursos de artes, sem que os pais gastem nada. Primeiro Mundo é isso. É de dar inveja.

Por: vereador Mário Frota

Líder do PSDB na CMM

Presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação da CMM