quinta-feira, 2 de julho de 2015

PASSADOS 30 ANOS DA QUEDA DA DITADURA DEPUTADOS E SENADORES IGNORAM ELEITORES




Votação da PEC que reduz a maioridade penal no Congresso Nacional
Por: Vereador Mário Frota*
No seu livro de memórias, o ex-deputado federal Márcio Moreira Alves, certa vez aproximou-se de João Mangabeira, velho e honrado parlamentar eleito pela Bahia, e perguntou-lhe: “explique-me mestre, como funcionava esta Casa?” Sem meias palavras, respondeu: “meu filho, aqui 10% são idealistas, porém o resto, ou seja, 90% vêm para cá com o torpe propósito de fazer negócios”.
Quando deputado federal pela oposição à ditadura militar acreditava piamente que após o País se libertar da opressão autoritária, sob o comando dos golpistas de 1964, o Congresso Nacional, o mais importante parlamento brasileiro, automaticamente se transformaria na caixa de ressonância dos ideais do nosso povo. 
Passados exatamente 30 anos da queda da ditadura, eis que deputados e senadores, na hora de legislar, terminam por esquecer dos que neles votaram e agem como se estivessem cingidos pelo poder divino de decidir e aprovar projetos de lei sem ouvir “a voz rouca das ruas”, expressão criada por Ulisses Guimarães, o  comandante das oposições na luta contra a opressão militar.  
Dois exemplos: primeiro, o lastimável fracasso envolvendo um pacote de reformas políticas, há anos sonhado pelo nosso povo; segundo, o projeto de lei que reduz a maioridade penal para 16 anos. Nos dois casos a sociedade brasileira foi derrotada. Na redução da maioridade penal a questão foi mais acintosa, haja vista que, em sucessivas pesquisas sobre o assunto, mais de 80% das pessoas ouvidas manifestaram o desejo de que a redução da maioridade penal fosse imediatamente votada e aprovada no Congresso Nacional.  
O resultado foi um fiasco, uma profunda decepção para milhões de brasileiros que ainda acreditavam nos seus representantes.  Ontem, ouvi de várias pessoas se dizendo profundamente decepcionados com o tal resultado. Uma senhora me abordou no supermercado e, em tom de decepção, afirmou-me que se sentiu traída pelo deputado em que votou na última eleição. De um jovem que, pela aparência não tinha mais de 16 anos, ouvi que “menor de idade que assalta e mata, armado de revólver ou faca, o castigo para ele tem que ser na proporção da penalidade que o Código Penal Brasileiro define para adultos”. E arrematou: “ser menor não dá direito de cometer estupro, roubar e assassinar ninguém. Isso é coisa de bandido, e lugar de marginal é na cadeia, longe do convívio social”.
Quem assistiu a votação do dito projeto pela televisão teve oportunidade de ver deputados com cartazes na mão com os seguintes dizeres: “prisão não, educação sim. Mais escolas, menos prisão”. E coisas do gênero. A multidão que invadiu o Congresso, todos sabemos manipulada pelo PT de Lula e Dilma. Alguns são inocentes úteis, massa de manobra de políticos inescrupulosos, porém a maioria são militantes pagos com dinheiro do erário para constranger parlamentares babacas, incapazes de distinguir a realidade da bagunça petista nos corredores do parlamento, com o sentimento de milhões de brasileiros que estavam na esperança de que  tomassem uma atitude em defesa da sociedade.
Ao final o vexame. Ao final a decepção. Ao final nada de novo, mas tão somente deputados que no parlamento não defendem o povo que os elegeu, mas, na sua maioria, no propósito de se dar bem e enriquecer. Para esses “o povo que se exploda”, como na expressão satírica do deputado corrupto, Justo Veríssimo, figura prenhe de cinismo criada e interpretada pelo saudoso Chico Anísio.
No seu livro de memórias, o ex-deputado federal Márcio Moreira Alves, responsável pelo discurso que levou os militares a editar o AI-5, ato de força que, entre outras, foi usado para fechar o Congresso Nacional por um ano, relata que, ao chegar à Câmara dos Deputados, ainda muito jovem, certa vez aproximou-se de João Mangabeira, velho e honrado parlamentar eleito pela Bahia, e perguntou-lhe: “explique-me mestre, como funcionava esta Casa?” Sem meias palavras, respondeu: “meu filho, aqui 10% são idealistas, porém o resto, ou seja 90% vêm para cá  com o torpe propósito de fazer negócios”.
Investigações envolvendo escândalos como o mensalão e o petrolão demonstram que, de lá para cá, quase nada mudou. Quem acredita o contrário que levante o braço! 

*Advogado;
*Líder do PSDB na Câmara Municipal de Manaus (CMM);
*Presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação da CMM.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

CPI DA GASOLINA - NOTA DE ESCLARECIMENTO



 Mário Frota
CPI da gasolina
NOTA DE ESCLARECIMENTO

Conforme reportagem veiculada ontem (25), no jornal Amazonas Em Tempo, na página 5, com o título “WILKER DERRUBA CPI”, esclarecendo os motivos pelos quais alguns vereadores retiraram suas assinaturas da CPI da Gasolina - projeto de minha autoria para investigar o alto preço cobrado por esse derivado de petróleo em Manaus, fundado em uma pesquisa do Procon ao constatar que, em 32 postos pesquisados, 31 cobravam o mesmo valor do litro da gasolina, colocando sob suspeita a prática de cartel - venho a público esclarecer que, em momento algum citei nomes ou acusei qualquer pessoa de envolvimento nesse caso. Mas é meu dever, de parlamentar, questionar o que é certo e o que é errado como forma de prestar contas do meu mandato aos eleitores que me colocaram neste Poder.
O meu objetivo, quanto apresentei a CPI da Gasolina, foi para saber por que esse derivado, produzido e comercializado na nossa cidade, é um dos mais caros do país. Enquanto em São Paulo o litro da gasolina, que percorre 120 quilômetros até chegar a capital, é vendido entre R$ 2,86 a R$ 3,30, em Manaus, que possui uma refinaria de petróleo dentro do seu perímetro urbano, o litro é comercializado a R$ 3,59 a R$ 3,80.
A reportagem afirma que o “Presidente da Câmara Municipal, Wilker Barreto ordenou que seis vereadores retirassem as assinaturas do documento que investiga os combustíveis em Manaus. Com a manobra, proposta de investigação de Mário Frota foi enterrada”. Com essa afirmação, Wilker, na qualidade de presidente do Poder Legislativo Municipal, não acatou a assinatura desses vereadores que davam legalidade para implantação de uma CPI e agiu com autoritarismo, escudado na função delegada pela vontade da maioria dos edis da casa, sem atentar para o fato de que vivemos em uma democracia, onde cada cidadão que cumpre seus deveres e obrigações tem a reciprocidade do Estado por meio da liberdade de expressão, livres para pensar e cobrar seus direitos, sem censuras de mandatários. A nossa Constituição, em seu artigo 5º, reza que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”.
Em outro trecho da matéria o presidente Wilker Barreto afirma ainda que “o pedido dessa CPI foi dado entrada no protocolo enquanto eu estava como prefeito em exercício, e no momento que me deparei com a proposta falei aos vereadores: a câmara não pode desconsiderar esse instrumento, mas temos que analisar vários pontos, como por exemplo quantas audiências públicas sobre o tema foram realizadas na casa? Houve negativa por parte dos empresários em dar as informações? Então eu acho que todo o rito deve ser cumprido”. Sobre esse assunto quero lembrar que as prerrogativas dos cargos em exercício, nesse caso, são as mesmas do titular, resguardados os interesses do povo, podendo admitir e até demitir secretários. Sendo assim, essa situação também se aplica aos vices presidentes que também podem agir com as mesmas atribuições do presidente. Quando dei entrada no pedido da CPI da Gasolina o vereador Wilker Barreto estava como prefeito e o vice-presidente da Câmara, como presidente em exercício, ou não? Por que na sua declaração Wilker tenta desqualificar e limitar os poderes do vice?
Lembro ainda, como forma de esclarecimento que, para abortar a CPI da Gasolina Wilker alega ausência do fato concreto quando diz que “é preciso esgotar todas as formas de diálogos por meio de audiência pública com a participação dos empresários do setor”. Mas na minha justificativa para a instalação desse instrumento de investigação, citei fatos inexoráveis, conforme me reportei em epígrafe sobre esse assunto. Quando deu essas declarações, Wilker cometeu equívocos e deixou a impressão de que desconhece a Lei Orgânica do Município de Manaus (Lomam) e o Regimento Interno da Câmara Municipal de Manaus. Por outro lado, como não possui formação jurídica, deveria ter consultado o Procurador-Geral da Câmara para emitir um parecer técnico sobre a questão em tramitação.
Fatos semelhantes a esse, de tentar anular a apresentação de propostas de minha autoria no plenário da Câmara, aconteceu quando apresentei os projetos de leis que extinguiu o famigerado Auxílio-paletó e o que proíbe Ongs, Oscips e Fundações de receber, a título de convênios, recursos dos cofres da Prefeitura e da Câmara Municipal. Na época o presidente da Casa era o vereador Isaac Taiah que, numa manobra de bastidores, retirou de pauta essas minhas proposituras. Agindo com justiça, dentro das formas da Lei, entrei com uma ação civil junto ao Ministério Público Estadual (MPE) que me deu ganho de causa dos processos. Os projetos voltaram para tramitação, foram aprovados pela maioria dos vereadores e viraram Lei.
Era isso o que tinha para esclarecer à população de Manaus.

Vereador Mário Frota

quinta-feira, 25 de junho de 2015

PRESIDENTE DA CMM, WILKER BARRETO, DERRUBA CPI DOS COMBUSTÍVEIS



Vereador Wilker Barreto derruba CPI dos combustíveis – foto: Tiago Correa/CMM
Presidente da Câmara Municipal, Wilker Barreto ordenou que seis vereadores retirassem as assinaturas do documento que investiga os combustíveis em Manaus. Com a manobra, proposta de investigação de Mário Frota foi enterrada
Matéria veiculada no jornal Amazonas em Tempo de hoje (25), na página A5 - Política
jun 25, 2015 Destaques, Política


O documento que propunha a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos combustíveis, de autoria do vereador Mário Frota (PSDB), foi derrubado antes de completar uma semana de protocolado na presidência da Câmara Municipal de Manaus (CMM). O balde de água fria na proposta de Frota foi barrada após a retirada de seis assinaturas motivadas pela orientação do presidente da casa, vereador Wilker Barreto (PHS).
O requerimento de número 2126/2015, que havia sido recebido pelo gabinete da presidência na quarta-feira passada (17) e trazia na sua redação a proposta da criação de uma CPI com a finalidade de investigar as distorções nos preços dos combustíveis produzidos e vendidos em Manaus, contava no primeiro momento com um total de 17 assinaturas apoiando a matéria, e ontem (24), o número foi reduzido para 11.
Wilker Barreto sustenta a tese de que os fatores para a ponderação da proposta e a orientação para que seus colegas retirassem os nomes do requerimento estão relacionados a sua avaliação de que a instalação de uma CPI é algo muito sério e uma ferramenta de grande valia para os legisladores, porém só deveria ser acionado tal mecanismo de investigação após se esgotarem os outros caminhos que levam à discussão ou a busca de soluções para o tema proposto.
“O pedido dessa CPI foi dado entrada no protocolo enquanto eu estava como prefeito em exercício, e no momento que me deparei com a proposta falei aos vereadores: a câmara não pode desconsiderar esse instrumento, mas temos que analisar vários pontos, como por exemplo quantas audiências públicas sobre o tema foram realizadas na casa? Houve negativa por parte dos empresários em dar as informações? Então eu acho que todo o rito deve ser cumprido”, justificou o presidente.
‘Forças ocultas’
Para o autor da proposta, vereador Mário Frota (PSDB), “forças ocultas” agiram na cabeça dos vereadores que retiraram as assinaturas do requerimento. Frota criticou a postura dos colegas e afirmou que em todos os seus mandatos, tanto de deputado estadual, federal e de vereador, nunca retirou o seu nome de qualquer documento parlamentar que já tivesse assinado. “Eu nunca coloquei a minha assinatura e tirei depois. Eu acredito que quando você assina um documento como parlamentar, você está assumindo um ato de responsabilidade com a sociedade”, protestou o tucano.
Frota ressaltou que propôs a instalação da comissão após apurar o absurdo que há nas disparidades do preço de combustíveis, que faz a população pagar o produto mais caro do Brasil.
“Um dos fatos que muito me intriga e dá base para a criação de uma CPI é que enquanto a gasolina é comercializada na capital do Estado de São Paulo a preços que variam de R$ 3,30, em áreas de maior poder aquisitivo, e de R$ 2,86 a R$ 2,89, nas áreas periféricas, apesar de a refinaria que abastece aquele mercado estar situada a quase 120 quilômetros da capital, nós precisamos pagar de R$ 3,59 a R$ 3,80, mesmo contando com o abastecimento da Refinaria de Manaus que se encontra dentro da capital”, comparou.

Por Helton de Lima (equipe EM TEMPO)
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