sexta-feira, 2 de agosto de 2013

“MÁRIO ANTÔNIO SUSSMANN PENSAVA QUE EU ERA 'DEDO DURO' DO REGIME MILITAR”





Mário escapou da morte porque, nesse dia, demorou mais do que de costume a chegar a casa.
  Texto: Vereador Mário Frota*
Muitas vezes rimos dessa história um tanto maluca. A verdade é que não era nada fácil fazer oposição aos governantes militares. Na eleição de 1974, o Fábio Lucena foi impedido de sair candidato... A minha vida política começou ali e, até hoje, passados quase 40 anos, ainda não dei por terminada.

Matéria publicada em jornal, no que diz respeito à política, leio tudo para me manter bem informado.  Como político, gostando ou não, nada deixo passar. Dever de ofício. No entanto, quando se trata de matéria assinado, a minha preferência recai nos melhores.
Entre os muitos autores de minha preferência posso nomear alguns que, pelo estilo, cultura e interação dos fatos abordados, dão-me grande prazer ao lê-los. Paulo Figueiredo, Félix Valois, Júlio Antônio Lopes, Bernardo Cabral, João Bosco Araújo, Lupercínio de Sá Nogueira, Ivânia Vieira, Mário Antônio Sussmann, Walmir Lima, Arnaldo Carpinteiro Peres, Hermengarda Junqueira, Wilson Nogueira, formam o epicentro dos jornalistas que, confesso, leio com muito prazer. No desejo de não cometer qualquer injustiça, afirmo aqui que existem outros escrevendo muito bem nos nossos jornais, mas, preferencialmente, rendo minhas homenagens aos ilustres companheiros ora citados.
Hoje, bem cedo, li o excelente e oportuno artigo Senta a Pua, assinado pelo jornalista e advogado Mário Antônio Sussmann, companheiro de luta dos tempos heroicos, em que bem poucos tinham coragem de se arriscar no combate à ditadura militar, instalada via quartelada em 1964, que perseguia, prendia e assassinava estudantes, professores, jornalistas, e exilava do País políticos da envergadura de Leonel Brizola, Almino Afonso, Miguel Arrais, entre outros.
É nessa fase nebulosa da vida nacional que conheci Mário Antônio Sussmann. À época cursava Direito, na Faculdade do Largo dos Remédios quando, certo dia, o conheci e, daí por diante, passei a ouvi-lo até porque, como já tinha conhecimento, tratava-se de um companheiro que havia se envolvido nos movimentos políticos no Rio de Janeiro, ao lado de estudantes que participavam da resistência à ditadura. Nessa fase foi alvo de perseguições.  Aconselhado, melhor, intimado pela família, veio para Manaus, onde concluiu o seu curso de Direito.
Tempos depois, o Mário Antônio confessou-me que, ressabiado, no primeiro momento ficou preocupado com a minha aproximação, acreditando tratar-se de algum ‘dedo duro’ ligado a qualquer órgão de informação do regime militar, a exemplo do SNI. Lembro-me que muitas vezes rimos dessa história um tanto maluca. A verdade é que não era nada fácil fazer oposição aos governantes militares. Lembro-me que, depois de reiteradas críticas pesadas, ao então governador Cel. João Walter de Andrade, por meio de artigos, que assinava num jornal local, teve a sua casa invadida e depredada. Até um cachorrinho, uma espécie de vigia da casa, foi morto a pauladas. Mário escapou porque, nesse dia, demorou mais do que de costume a chegar a casa.
Quando, na eleição de 1974, o Fábio Lucena foi impedido pelos militares de sair candidato a deputado federal, eu e o Mário Antônio éramos os seus candidatos preferenciais para substituí-lo na vaga que ora deixava. O Mário Antônio saiu fora e eu topei o convite. Meses depois, com o apoio do Fábio, do Mário Antônio, do Umberto Calderaro, do então candidato ao Senado, Evandro Carreira, e de outros companheiros, fui eleito deputado federal com a maior votação do Estado. A minha vida política começou ali e, até hoje, passados quase 40 anos, ainda não dei por terminada.

*Advogado;
*Líder do PSDB na CMM;
*Presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação da CMM.

terça-feira, 30 de julho de 2013

PAPA FRANCISCO: A PARTIDA DO PRÍNCIPE DA PAZ ME LEVOU ÀS LÁGRIMAS



‘É sim, filho! Ele é um homem muito bom...'
 Texto: Vereador Mário Frota*
 “pai você está chorando, tem lágrimas escorrendo dos seus olhos”! ‘Filho’, respondi-lhe, ‘um dia, lá na frente, você, com certeza, vai entender melhor o que estou sentindo nesse momento...’
Ontem, ao assistir, via TV Globo, a partida do Papa Francisco, percebi que havia dentro de mim emoções que se misturavam num carrossel de sentimentos, no qual se mesclavam esperanças no sentido de que, graças a seres humanos como aquele, que ora nos deixava, pode essa louca e desvairada humanidade - que não se cansa de guerras e de cometer outros graves pecados contra Deus - vir um dia a se tornar mais solidária, mais cristã e, assim, ajudar o Planeta que nos hospeda a sobreviver, pois que, com as nossas atitudes insanas, o estamos destruindo, exaurindo-o dos seus recursos naturais, formados em bilhões de anos, que resultou no milagre da vida que fazemos parte como o animal mais inteligente entre todos  os seres que habitam a Terra.
Com lágrimas nos olhos, a única frase que me veio à cabeça, foi: ‘vai com Deus Príncipe da Paz, e continua a tua pregação, inspirada no Evangelho de Jesus, por uma humanidade melhor, mais justa, menos egoísta e mais solidária’. O Marco Antônio, meu filhinho de 10 anos, sem entender bem o que estava acontecendo, fez-me a seguinte observação: “pai você está chorando, tem lágrimas escorrendo dos seus olhos”! ‘Filho’, respondi-lhe, ‘um dia, lá na frente, você, com certeza, vai entender melhor o que estou sentindo nesse momento da partida desse apóstolo de Cristo, que deixa nos nossos corações um forte sentimento de que nem tudo está perdido, de que este nosso Brasil pode vir a ser o País que todo o povo brasileiro deseja para os seus filhos’.
Inteligente, sensível, o molequinho me olhou e disse: “é porque ele está indo embora, não é Pai? É por que ele é um homem bom, Pai”? ‘É sim, filho! Ele é um homem muito bom, ele nos fez acreditar que devemos nos agarrar à esperança e persistir na luta por um Brasil melhor para os nossos filhos. É isso, filho’!     

*Advogado;
*Líder do PSDB na CMM;
*Presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação da CMM.
Foto: José Mauro Pimentel / Terra