quinta-feira, 17 de novembro de 2011

AOS PERMISSIONÁRIOS DE FEIRAS E MERCADOS

"Dessa forma, os liderados do Amazonino agiram de forma arbitrária e ditatorial, estuprando o Regimento Interno do Poder e, depois, o atiraram na lata do lixo".


Conforme prometi, apresentei projeto de lei com propósito de retirar todos vocês das garras da privatização da lei recentemente aprovado pelo Amazonino. Depois de prometer publicamente que deixaria os permissionários de feiras e mercados de fora da lei da privatização, aplicou o golpe, instruindo o seu líder na Câmara, Leonel Feitosa, a aprovar o tal projeto, que passei a chamá-lo de lei caixão de defunto.

Inexplicavelmente, a maioria do Prefeito impediu, na última terça-feira, que o meu projeto, que exclui vocês da lei das privatizações, fosse deliberado para tramitar nas comissões técnicas e, posteriormente, votado no plenário. A desculpa deles, impedindo o meu projeto de ir à frente, é que eu vou tumultuar a Câmara, a exemplo do que fiz por ocasião da discussão e da votação do projeto de lei que eles aprovaram, depois de ludibriar e enganar a todos vocês.

Dito isso, informo aos amigos(as) feirantes que, por não aceitar a manobra espúria e covarde contra vocês, estou ingressando com um Mandato de Segurança no Tribunal de Justiça do Estado, com objetivo de obrigar a Mesa Diretora da Câmara a fazer tramitar o meu projeto de lei, a exemplo do que acontece com todos chegam ao plenário e são deliberados. Agora por que, em todo esse tempo, somente o projeto que apresentei na defesa de vocês não foi recebido pela Mesa da Casa? Quem pode responder a esta pergunta é o próprio Amazonino, que está fugindo dessa questão como o diabo foge da cruz.

Além de ferir o art. 164 do Regimento Interno da Casa, que exige que todos os projetos sejam examinados pela Comissão de Constituição e Justiça, também feriu a essência do Poder Legislativo que é o de legislar, ou melhor, discutir e votar projetos de leis. Impedir que um projeto seja discutido e votado num parlamento, é o mesmo que matar uma criança antes de nascer. Dessa forma, os liderados do Amazonino agiram de forma arbitrária e ditatorial, estuprando o Regimento Interno do Poder e, depois, o atiraram na lata do lixo.

O que aconteceu, na última terça-feira, no plenário da Câmara, vocês podem ler na matéria publicada pelo jornal Diário do Amazonas, impressa no verso desta mensagem. O que ocorreu pode ser traduzido por uma manobra torpe, infame, própria dos regimes ditatoriais, mas nunca em um País que adotou a liberdade e a democracia como pressupostos básicos.

O importante é reagir; é nunca baixar a cabeça para os maus; é ter fé em Deus. O povo do Amazonas jamais vai se curvar a esse tirano que protege os ricos e persegue os humildes. Ele, e todos que estão contra vocês, que se preparem para enfrentar o julgamento das urnas. É uma questão de tempo.

Do amigo

MÁRIO FROTA

Vice-líder do PSDB na CMM

Frota dá gargalhadas: "Será a Maldição da Rodela?"


<!--[if gte mso 9]> Normal 0 21 false false false PT-BR X-NONE X-NONE MicrosoftInternetExplorer4 O vereador Mário Frota anda pelos corredores dando gargalhada do fato de o terem tomado o controle do seu ex-PDT para estarem vivendo agora a "desgraça Lupi', Falando informalmente ao nosso site, ele deixou soltar esta: "Será que o Evandro Carreira tinha razão quando ele vaticinava que um dia haveria uma grande maldição da Rodela, o símbolo máximo que reúne todos os políticos populistas no Amazonas?".

Fonte: http://www.blogdafloresta.com/politica/7963-frota-da-gargalhadas-qsera-a-maldicao-da-rodelaq.html

domingo, 13 de novembro de 2011

PDT DO AMAZONINO E DO LUPI: “ESCAPEI DESSE LAMAÇAL DE CORRUPÇÃO”



Quem deve estar orgulhoso disso é o Stones Machado e o
Dermilson Chagas, dois lambe botas do Lupi e do Amazonino.

O mar de lama chega agora, via Ministério do Trabalho, ao PDT fundado por Leonel Brizola. Carlos Lupi deverá cair, ninguém aposta o contrário. Frente a denúncias tão graves, ao invés de demonstrar equilíbrio na sua defesa, o homem vomitou um rio de arrogância, ao ponto de dizer que ninguém jamais o tiraria do Ministério, nem mesmo por ocasião da reforma ministerial anunciada pela presidente Dilma. Ao final, debochou: “só uma bala pode me tirar do Ministério, e tem que ser uma bala grande porque eu sou grande e pesado”.

O bravateiro soube que a presidente Dilma não gostou da palhaçada e, desesperado, por medo de perder o emprego, tentou publicamente corrigir a bobagem pronunciada, mas, não fugindo à regra, a emenda saiu pior do que o soneto. Nunca se viu maior presepada. Em discurso carregado de emoção barata, Lupi, o valentão, mudou de lobo para cordeiro. Aos berros, declarou amor à presidenta Dilma e ao Lula. Foi um misto de comédia barata com dramalhão mexicano, principalmente quando abriu os pulmões e gritou: “Dilma eu te amo! O Cantinflas, o comediante mais talentoso do cinema mexicano, nos seus melhores momentos não encenaria palhaçada mais engraçada.

Depois da entrada do Amazonino no PDT, para completar o quadro, só estava faltando esse escândalo envolvendo o Lupi. O Amazonino não tem nada do Brizola, mas muito a ver com o Lupi. Um é a cara do outro. É a velha história: Deus os fez, o vento os separou e, agora, o diabo os uniu, no PDT. O bom Deus poupou o Jefferson Peres da vergonha de ver o Amazonino dentro do PDT, assim como o de ver o PDT envolvido nesse lamaçal de corrupção. Também escapei de boa. Quem deve estar orgulhoso disso é o Stones Machado e o Dermilson Chagas, dois lambe botas do Lupi e do Amazonino. E a bancada do PDT, em Brasília? Quanto despudor! Com exceção dos senadores Cristovam Buarque e Pedro Taques, a maioria, no maior cinismo, ameaçou a presidente Dilma com argumento pilantra de que, com a saída do Lupi do Ministério do Trabalho, o partido deixaria a base do governo. O nome disso é chantagem. Que papelão.

Vou aconselhar o Arthur Virgílio Neto a convida os senadores Cristovam Buarque e Pedro Taques, dois políticos honrados, a integrar as fileiras do nosso PSDB. Só temos a ganhar. Quanto ao restante deixa para lá, pois lugar de chantagista é no PDT do Amazonino e do Lupi. Que fim mais melancólico o do partido idealizado e fundado por Leonel Brizola. É uma pena. Caso estivesse vivo, é possível que ele, o velho e destemido caudilho, usasse não uma bala bem grande, mas um bom porrete para botar esse idiota pomposo para fora do seu PDT. Dessa forma Brizola estaria poupando a presidente Dilma de, em nome dos bons costumes e da moral, ter que afastar o tal de Lupi do Ministério do Trabalho.

Por: vereador Mário Frota

Líder do PSDB na CMM

Presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação da CMM

Foto: tavares-falatudo.blogspot.com


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

QUEM BANCA CAMPANHAS MILIONÁRIAS DE PREFEITOS QUE BUSCAM REELEIÇÃO SÃO OS DONOS DE ÔNIBUS



Por que, agora, o Amazonino joga pesado para falir os proprietários dos executivos, pessoal que é gente daqui, que luta para pagar as prestações do veículo e sustentar a família com o pouco que sobra?

Finalmente a Justiça chega para os proprietários dos ônibus executivos, graças a decisão do Juiz de Direito Roberto Hermidas Aragão Filho, que determinou reduzir o exorbitante preço imposto pela SMTU em R$ 5,50 para R$ 4,20, uma tarifa justa, de conformidade com a lei.
Agora, só nos resta o TJA confirmar a sentença do ilustre magistrado, pois, caso não aconteça, toda uma categoria estará sendo condenada à falência por falta de passageiros, afugentados por uma tarifa imposta na marra pelo Prefeito, com propósito de beneficiar os seus amiguinhos donos das poderosas empresas dos chamados convencionais, que mandam e desmandam nesta cidade, penalizando, agora, o nosso povo a pagar a tarifa de R$ 2,75, proporcionalmente considerada a mais cara do País.
No auge da maior crise que o sistema de transporte coletivo já viveu nessa terra, quando os ônibus desses senhores de fora faliu, deixando as pessoas desesperadas nas paradas, foram exatamente os ônibus executivos que salvaram a pátria, ao ponto da direção do DETRAN fazer um apelo dramático solicitando que os proprietários desses veículos transportassem passageiros de pé, o que legalmente não é permitido.
As pessoas se amontoavam nas paradas e pediam pelo amor de Deus para serem transportadas. Os ônibus tradicionais não chegavam aos bairros, por duas razões: ou estavam quebrados pelo caminho, ou simplesmente pegando fogo. Foi nesse momento que os executivos entraram em ação e, graças ao esforço dos seus proprietários, muita gente conseguia chegar ao emprego e, depois, retornar para o seu lar.
Por que, agora, o Amazonino joga pesado para falir os proprietários dos executivos, pessoal que é gente daqui, que luta para pagar as prestações do veículo e sustentar a família com o pouco que sobra? A razão é simples. Quem tem condições de bancar campanhas milionárias de prefeitos que buscam reeleição não são os pobrezinhos proprietários desses executivos, que mal ganham para sustentar os seus familiares, mas os poderosos de fora, donos dessas empresas que, apesar de serem isentas do ICMS do diesel que usam nos ônibus, fato único no País, há décadas controlam prefeitos e mandam na cidade como se ela fosse deles.
Faço daqui um apelo aos ilustres desembargadores do TJA, no sentido de manter a liminar concedida pelo Juiz Roberto Hermidas Aragão. O sol nasceu para todos. É justo que os donos dos executivos, o único sistema de propriedade de pessoas desta terra tenham o direito de continuar servindo a nossa cidade. O povo de Manaus agradece.
Por: vereador Mário Frota
Líder do PSDB na CMM
Presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação da CMM
Foto: acritica.uol.com.br
Por que, agora, o Amazonino joga pesado para falir os proprietários dos executivos, pessoal que é gente daqui, que luta para pagar as prestações do veículo e sustentar a família com o pouco que sobra?

domingo, 6 de novembro de 2011

JOÃO PEDRO FOI ESPANCADO PELA POLÍCIA E SAIU COM UM BRAÇO QUEBRADO



O PC DO B NÃO É MAIS AQUELE. É UMA PENA, MAS É A VERDADE. Depois do mega escândalo envolvendo o ex-ministro dos Esportes Orlando Silva, do PC do B, pode-se dizer que os ideais do pessoal desse partido foi para as cucuias, ou seja, o gato comeu. De coração, digo que fiquei triste em ler nos jornais que esse partido, que conheci nos tempos que combatíamos à ditadura não é mais aquele, pois, na loucura por abocanhar cargos públicos, poder e dinheiro, de preferência furtado dos cofres do erário, esqueceu princípios como ética e moral, preferindo mergulhar, de cabeça, no lodo da corrupção.

É com tristeza que reconheço isso. Aqui, nos anos 70, do século passado, conheci a turma do PC do B, um grupo de rapazes e moças idealistas que lutavam contra a ditadura, para que o Brasil se livrasse do regime autoritário que havia tomado o poder em 1964 e, durante 21 anos, prendeu, torturou, exilou e assassinou estudantes, professores, líderes operários e políticos nas masmorras dos quartéis.

Deputado Federal muito jovem, combatendo de forma intransigente o regime discricionário que oprimia e humilhava o nosso povo, trouxe o grupo que integrava o PC do B para o meu lado, pois, que nessa época o partido estava na clandestinidade por força do Ato Institucional nº 05, o mais perverso instrumento da ditadura militar, uma espécie de espada de Dâmocles que balançava sobre a cabeça de todos os brasileiros. Foi nessa fase que abri espaço dentro do então glorioso PMDB para o pessoal do PC do B, inclusive lançando, nas eleições de l982, o João Pedro para deputado estadual.

Eram tempos heróicos aqueles. A garotada do PC do B era ágil, lutadora, estava sempre presente nas lutas na defesa do povo. No primeiro momento, contra a ditadura militar, depois, enfrentando o Gilberto Mestrinho que, eleito em 1982, para agradar os militares que ainda estavam no poder, passou a perseguir as esquerdas no Estado, de forma infame e covarde.

Numa dessas vezes, Mestrinho mandou a Polícia Militar baixar o pau na turma do PC do B que, na Praça da Matriz, distribuía o jornal do partido, denunciando corrupção e arbitrariedade praticadas pelo novo inquilino do Palácio Rio Negro. Nesse dia o Chico Braga desmaiou com uma cacetada na cabeça. O próprio João Pedro, que era deputado estadual, foi espancado pela polícia e saiu com um braço quebrado.

No sábado seguinte o PC do B organizou um ato público de repúdio à violência cometida pelo Mestrinho e convidou toda a nossa bancada federal a participar do tal desagravo. Resultado: só eu, na época deputado federal, compareci. O ato transcorreu numa manhã de sábado, na Praça da Matriz. Ônibus lotados com policiais militares chegaram à Praça. Cercaram tudo. Percebendo que eu era o único deputado federal no palanque e que o tempo ia fechar, disse ao Eron: ‘companheiro, quando eu estiver falando manda o pessoal mais visado debandar, sair de fino’. O que aconteceu e todos escaparam.

Quando vejo hoje como terminou o PC do B, eis que me vem à lembrança os últimos versos do Soneto do Natal de Machado de Assis: “Mudou o Natal, ou mudei eu”. Nessa história tudo indica que quem mudou foi o PC do B e não eu. É uma pena que tão bela história terminar-se em pântano lodoso. Os antes intransigentes defensores do povo, hoje estão aninhados sob as penas dos poderosos de plantão e fazem o que eles ordenam. Para eles o povo é que se lixe, que se exploda.

Por: vereador Mário Frota

Líder do PSDB na CMM

Presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação da CMM

MÁRIO FROTA ENTRA COM AÇÃO NO MINISTÉRIO PÚBLICO PARA INVESTIGAR IDADE DOS ÔNIBUS


Veja, na íntegra o teor da ação:

EXCELENTÍSSIMO SENHOR PROCURADOR CHEFE DE JUSTIÇA DO ESTADO DO AMAZONAS.

SENHOR PROCURADOR

JOSÉ MÁRIO FROTA MOREIRA, mais conhecido por MÁRIO FROTA, brasileiro, vereador de Manaus, divorciado, portador do CPF 039.128. 6822 - 04 e CI 640/OAB,AM, residente e domiciliado nesta cidade, na rua Edward Costa, Quadra T, casa 7, Conjunto Residencial Adrianópolis – Bairro Adrianópolis, vem, perante Vossa Excelência, requerer o que, nos termos abaixo, passa a expor:

DOS FATOS

Na condição de vereador de Manaus e de cidadão, venho postular de Vossa Excelência que determine a esse Ministério Público, a instituição com poderes constitucionais para defender os interesses difusos e coletivos da sociedade, a investigar graves denúncias que vêm sendo publicadas na imprensa local e sustentadas por vereadores da CMM, entre os quais me incluo, dando conta de que os ônibus que estão chegando a Manaus não são novos, zero quilômetro, como alegam os seus proprietários e exige a SMTU, conforme determina o contrato celebrado com base em processo licitatório. Não é justo, portanto, que o nosso povo, que paga a passagem proporcionalmente mais cara do país, ainda seja penalizado a enfrentar ônibus maquiados, a exemplo dos que aqui chegaram a esta cidade na administração passada, que logo começaram a quebrar, quando não a pegar fogo.

A SMTU e os proprietários dos veículos, Senhor Procurador, afirmam que os ônibus que estão chegando a Manaus são novos, e que todos, sem exceção, foram fabricados no decorrer do ano em curso. Pessoalmente penso diferente. É do meu entendimento que os donos de ônibus e a SMTU mentem para o nosso povo sobre a real idade desses veículos. O que acredito, por tudo que sei e já presenciei, fato que a seguir passo a detalhar, é que esses ônibus na sua maioria não são novos, fato que facilmente pode ser comprovado, caso esse Ministério Público resolva investigar veículo por veículo, comparando o numero de fabricação do chassi, do motor e ano de fabricação da carroceria. Repito: é do meu entendimento que grande parte desses ônibus foram apensas desamassados, pintados (maquiados), colocados nas ruas para transportar o nosso povo.

Excelência, minha dúvida, sobre a idade desses veículos, teve início na administração Serafim Correia, da qual fiz parte como seu vice. Tudo aconteceu quando os proprietários de ônibus se comprometeram a renovar a frota de Manaus, acrescentando 500 veículos novos, caso a Prefeitura aumentasse as passagens em vinte centavos, ou seja, elevando a tarifa de R$ 1.80 para R$ 2.00. O acordo foi firmado e, dois meses depois, ocorreu a entrega dos primeiros 80 veículos, em frente ao Olímpico Clube, na rua Constantino Nery.

Às 10:00 horas da manhã, de um sábado, eu e o Serafim chegamos ao local. Quando desci do carro, e vi os veículos brilhando ao sol, demonstrei grande alegria e satisfação com o que via. O próprio Serafim não escondia o seu contentamento: recebia parabéns, apertava mãos e, na hora do discurso, garantiu aos presentes que logo mais 420 ônibus estariam desembarcando na cidade.

A retornar ao carro, comentei com o meu motorista: E aí Marden, que bela festa. O povo de Manaus, depois de tantos anos, finalmente vai ser transportado por ônibus novos, zerados. O Marden, um sujeito tipo caladão, fez um ar de riso e foi logo dizendo: “olhe, o segundo ônibus da fila está soltando óleo no asfalto. O senhor já viu motor de ônibus novo derramar óleo na pista? Surpreso, reagi: deixa de ser leviano rapaz, esses ônibus são todos novos, olha como a pintura deles brilha.

Marden, em tom irônico, prosseguiu: “veja a pintura das borrachas de vedação. Pintaram com tanta pressa e mal, que elas estão borradas de tinta. E acrescentou: “dê uma olhada nos pneus desses ônibus. Estão quase todos recauchutados. O senhor já viu carro novo com pneu recauchutado?” Marden acelerou o carro e parou atrás dos dois últimos veículos, em verdade dois ônibus articulados do antigo Expresso, apontou o dedo, e fez a seguinte observação: “Esses ônibus foram tão mal pintados e economizaram tanto na tinta, que as cobras enroscadas da União Cascavel ainda estão lá. Olhei e fiquei ainda mais assustado, pois, as tais cobras, ainda podiam ser vistas por debaixo da camada de tinta. Devo, aqui lembrar, que o jornal A Crítica dias depois fotografou as cobras nos ditos ônibus e publicou matéria denunciando a fraude.

Frente a tais fatos, incontestáveis, visíveis a olho nu, fiquei em estado de perplexidade. A alegria deu lugar a muita raiva e frustração. Tinha ainda um compromisso pela frente, mas pedi ao Marden que me deixasse em casa, onde procurei me acalmar e relaxar.

Na segunda-feira, pela manhã, entrei no gabinete do Serafim e fui logo direto ao assunto: companheiro, os donos das empresas de ônibus nos fizeram comer gato por lebre. Relatei-lhe o que havia constato e ele empalideceu, ficou nervoso. Na conversa, pedi que autorizasse o Marcelo Ramos, que nessa época já dirigia a SMTU, a entregar-me as notas fiscais dos ônibus, fato que ocorreu três dias depois. Examinei os documentos e constatei que, dos 80 veículos, apenas quatro não apresentavam notas fiscais do ano, o que, em minha opinião, não alterava muita coisa, haja vista que um ônibus com essa idade não se pode considerá-lo velho.

No mesmo dia comuniquei ao Serafim que havia tomado conhecimento das notas fiscais, mas não estava convencido de que os ônibus eram novos, razão porque o aconselhei a nomear uma comissão com mecânicos de oficinas especializadas, para investigar a verdadeira idade dos veículos. Obviamente que não fui atendido. Diziam os antigos que se conselho fosse bom não se dava, vendia.

O tempo foi passando. Coisa de um ano depois tomei conhecimento de uma fraude descoberta pela Polícia Federal, episódio que finalmente me fez entender o que aconteceu, ou melhor, como eles agem. E então vamos aos fatos. Quando o Alfredo Nascimento inaugurou o Expresso, a empresa Eucatur, mediante apresentação de notas fiscais, que provavam que os ônibus eram novos, conseguiu que o Banco da Amazônia (BASA) financiasse 20 ônibus articulados. Os ônibus foram pagos pelo BASA, porém, dois anos depois, a Polícia Federal descobriu tratar-se de uma fraude, as notas eram frias, ou seja, os ônibus não eram novos, mas velhos, com alguns com mais de 10 anos. O processo corre na Justiça Federal e, o que se sabe, é que um dos donos da empresa chegou a ser preso quando o escândalo veio à tona.

Por tudo isso, Senhor Procurador, faz-se necessário, em respeito ao nosso povo, que o Ministério Público investigue se esses ônibus são novos mesmos, ou se não passam de mais uma mentira, uma fraude a mais, aplicada por esse pessoal que controla o transporte coletivo desta cidade, acumpliciados aos prefeitos que, nesses últimos 12 anos, administraram Manaus de costas para o povo. Além dos fatos acima citados por mim, há outros que engrossam o rosário de denúncias dando conta de que esses ônibus são na sua maioria maquiados. O exemplo mais recente ocorreu quando o vereador José Waldemir entrou na garagem de uma dessas empresas e flagrou ônibus sendo pintados com as novas cores dos veículos que eles, os proprietários, juram que são novos. Resultado: além de tomarem a máquina fotográfica do Vereador e, aos empurrões, o colocaram para fora da garagem. Ora, é como diz um velho ditado: quem não deve não teme. Já que não tinham nada a esconder, por que não deixaram o vereador fotografar à vontade o local?

Outras denúncias vêm pipocando pela imprensa, a exemplo de matéria publicada na coluna da jornalista Baby Rizzato, dando conta de que nas proximidades da sua casa, ônibus velhos estavam sendo pintados (maquiados), com propósito de integrar a nova frota. O deputado Chico Preto, da tribuna da Assembléia, exibiu fotografia aos seus colegas, em que um ônibus usado e pintado com as novas cores usadas pelos veículos que estão chegando a Manaus, sem qualquer problema estava transportava passageiros nas ruas da cidade. Os usuários desse transporte, de uma forma geral, não acreditam que os ônibus sejam novos, fazem brincadeiras usando piadas, algumas até que seriam engraçadas, caso não se tratasse de um fato dramático, extremamente grave. Por que, por exemplo, com tão pouco tempo de uso, esses ônibus , segundo o que os jornais publicam, já apresentam defeitos, quebrando nas ruas? Essa é, Senhor Procurador, uma pergunta que não quer calar.

DO PEDIDO

Por todo o exposto acima, deve esse Ministério Público promover investigação com o objetivo do povo conhecer a verdade, isto é, se esses ônibus que estão chegando às ruas de Manaus são realmente novos, em estado de zero quilômetro, ou simplesmente desamassados e pintados, maquiados, expressão mais usada pelo povo. Em meu entendimento, somente mediante uma verificação e perícia “in loco”, em cada ônibus, pode-se chegar a verdade, fato, só possível, mediante exame pericial feito por uma comissão (equipe) comandada por membros do Ministério Público, presentes vereadores da base do governo e da oposição, um representantes da OAB/AM, da SMTU, do DETRAM, do SINETRAN e do Sindicato dos Rodoviários do Amazonas, além, naturalmente, de mecânicos de oficinas especializadas, contratados para verificar se o número do chassi e o ano de fabricação do motor do veículo batem com a nota fiscal.

Feito isso, Excelência, o Ministério Público, o órgão fiscal da lei, tão bem conduzido pela sua ilustre pessoa nos dias que correm, teria cumprido com o seu dever, e a sociedade, que exige a verdade dos fatos, com certeza se daria por satisfeita com o resultado. O que não dá é para se viver na dúvida, ou seja, se os ônibus que estão desembarcando em Manaus são novos como dizem os proprietários das empresas, da SMTU e da base do Prefeito na CMM, ou, na sua maioria, apenas desamassados e pintados (maquiados), suspeição que vem sendo levantada pela oposição, profissionais da imprensa e, também, por pessoas da sociedade que usam esse tipo de transporte coletivo?

Acreditando na honradez desse ilustre órgão que representa a lei na defesa da sociedade, reitero, aqui, na condição de representante do povo da minha cidade, o pedido acima formulado, com base em dados, evidências e denúncias que estão a merecer investigação por quem de direito, no caso, de Vossa Excelência, que dirige no Amazonas o Ministério Público do Estado, que tem, com base na nossa Constituição pátria, o poder de investigar o que ora propomos com respeito e acatamento.

MÁRIO FROTA

Vereador e líder do PSDB na

Câmara Municipal de Manaus.